VII Época - 74

ENTREVISTA CON VÍTOR, DETIDO EN COMPOSTELA POR SOLIDARIZARSE CO POBO PALESTINO

Aproveitamos que Vítor pasou polas Xornadas Libertarias que organizamos no sindicato para  falar con él. Na conversa insiste en que a represión nos toca a todas. Advirte: quen se pense que está libre dos ataques dos estados-nación que teña moito coidado, está nun erro. Tamén expón que a organización é a chave na nosa defensa como clase e a solidariedade e o internacionalismo a nosa mellor ferramenta. Quen queira contactar ou axudar as compas detidas pode facelo a través do instagram de 9 detencións, 0 explicacións ou nos centros sociais galegos, e agora a través do sindicato engadiría eu. E outra chea de reflexións moi interesantes que por espazo non incluímos…

 Explícanos como foi a túa detención. Tamén, aínda que aquí en La Campana informamos puntualmente sobre estas 9 detencións e as 0 explicacións, dinos como viviches ti aquel 6 de Outubro e como explicas o que pasou.

Todos os feitos passarom o domingo 6 de outubro de 2024. Havia convocada umha manifestaçom nacional galega em Santiago de Compostela contra o genocídio perpetrado polo estado sionista de Israel contra o povo palestiniano. A manifestaçom rematou sem problemas, sen nengum tipo de incidentes. Depois estava convocado por BDS Galiza, um ato de boicote no Burger King da rua da Senra. Eu nom tinha mui claro se ia acudir, porque trabalhara nesse Burger King ano e medio, mais finalmente rematei acudindo. Nom queria entrar para non topar-me com companheiras com as que sempre houve muito bom ambiente no plano pessoal e no laboral, mália as diferenças políticas. Entom, em nengum momento entrei. Entraram umha série de companheiras. A açom consistia em pôr-lhe ketchup a uns pans de hamburguesa, simbolizando as mortes perpetradas polo estado sionista de Israel contra o povo palestiniano e denunciar que Burger King é umha empresa que financia ao Estado sionista de Israel. Aginha foram mobilizadas umhas quantas carrinhas e uns quantos polícias cara ali. A açom era completamente tranquila, era umha açom enquadrada na desobediência civil, açons nom violentas. A polícia despregou as suas táticas habituais de represom contra os movimentos sociais, de tensionar o ambiente. Foi a polícia quando entrou no local e começou a botar a gente fora, quando se tensionou mais o assunto com a sua estratégia habitual de buscar a provocaçom e a reaçom por parte das militantes. Se podem rascar sançons económicas ou detençons, a eles vai-lhes mui bem. Entom, houve maus tratos com empurrons, com faltas de respeito cara militantes. Quando já estava rematando a açom sacarom de más formas a todas as manifestantes do local. Na rua, começarom com as suas táticas de encapsulamento, cortar de um lado e doutro da rua a entrada do local, uns arriba e outros abaixo, já com a intençom de, pois isso, o que acabou vindo depois, cargas e finalmente detençons. Eu vou-me dando conta da situaçom e vou marchando mais quando começam a carregar e a repartir hóstias vou para o outro lado, cruzo a estrada e levo-me a companheiras e amizades, intentando tirá-las de aí, do grosso onde está encapsulando a polícia. É nesse momento, quando me fixo em que entre as duas carrinhas reduzem a várias companheiras usando a manobra do “mataleons”, que consiste em ponher a perna no pescoço da manifestante. Segundo o regulamento da política, e em teoria dos supostos códigos éticos da mesma, esta manobra está proibidíssima, ainda que, como aquele dia, incumprem-na e está muito presente na atualidade. Entom, eu vou-me achegando, ao observar isto, berrando-lhes “que fazedes? Estades fazendo-lhe o mataleons!” (manobra usada no assassinato de George Floyd). Aos poucos segundos, colhem-me, levam-me, dam-me uns quantos golpes de “porra”, na altura dos rins. Nom me resisto na detençom, já que me colhem entre vários e sei que nom há escapatória, mais tento por todos os médios que nom me botem ao chão, para evitar que me fagam esta manobra. Conseguim que nom me tombaram, mais logo já me levam ao espaço entre as duas carrinhas, ponhem-me as algemas de más formas, insultando e provocando com a intençom de que resposte.

Somos 5 finalmente as companheiras detidas, nessa manhá. Levam-nos para as dependências da comissaria local, no carro da polícia local. Quando vem a polícia nacional e fam o relevo, tentam apertar-nos muito mais. O trato comigo nom tanto, mais sobretudo com outras compas que eles notavam que eram mais novas, que nom tinham tanta experiência fronte à repressom, e forom mais a por elas neste senso. Eu, em verdade, tenho de dizer que igual foi ao que menos mal se tratou, já que tentei estar tranquilo e nom dar-lhes nengum motivo para me vinheram a amolar. Quando nos espirom, ficaram bastante preocupados com as minhas feridas, era evidente que nom podiam negar os golpes, as marcas estavam aí e eram muito notáveis. Depois de várias horas, conseguimos que nos levassem ao médico. O médico que me tratou a mim foi muito correito, mais os dous polícias que me acompanhavam ficarom em tudo momento dentro da sala, sendo isto algo proibido. O único que queria era sair de aí com um bom parte médico, que se ajustasse à realidade das feridas, e por sorte assim foi. Menos sorte tiverom outras companheiras, com médicas bastante nefastas e que praticamente justificavam as agressons recebidas.

As 5 compas da manhá estivemos arredor de 7 horas, saímos à noite. Às poucas horas de entrar nos calabouços, intuímos que poderia haver mais detençons polos comentários dos polícias, como assim rematou sendo, entrando as 4 compas detidas pola tarde.

Na parte de explicar o que passou, acho que estas detençons respostárom à estratégia do Estado de reprimir a incipiente força que estava tendo o movimento internacionalista de solidariedade com o povo palestiniano. Concretamente no caso de Compostela, a cousa já vem das mobilizaçons da Assembleia do Peche da Faculdade de História do curso 23/24, as quais forom mui potentes, sendo as mais notórias do último lustro na militância estudantil e juvenil da Galiza, e mais concretamente em Compostela. Eu acho que ia enquadrado neste marco do Estado de dizer “vale, aqui há gente nova que está achegando-se à militância, que se está movendo, imos dar-lhes um aviso, a dar-lhe pulo à repressom para parar este movimento por médio do medo”.

Acho que esta estratégia está a se reproduzir a nível estatal e acho que a nível mundial, ao ser este movimento internacionalista com a Palestina o mais reprimido, se calhar junto com o da luita pola vivenda (este sobretudo no caso do Estado Espanhol).

Enquanto a análises feitas polo grupo da campanha, achamos que as detençons da manhá som arbitrárias, com o objetivo de colher a quanta mais pessoas melhor, gentinha nova mais sem um perfil estético definido, ao contrário das 4 detençons da tarde; estas foram mais definidas, de novo a compas mui jovens, mais de um perfil estético muito marcado, e mui estudado a escolha de pessoas, associadas aos centros sociais da comarca.

Eu tamén estaba alí aquel domingo, moi cerquiña túa e puiden ver como che detiñan a ti e aos demais. Eu e outras compas estábamos alí porque así o argallamos e decidiramos nunha asemblea en Ourense da Rede Galega pola Palestina. De feito eu entendo que foi a Rede a que convocamos a acción. Gastei e gastamos moito tempo, entre outras cousas, en consensuar un chamado para facer un bloco na mani convocada pola Coordinadora da esfera do BNG en solidariedade con Palestina. Unha coordinadora pechada da que se saíu o BDS. Esa pechadura foi a que provocou que diferentes persoas e colectivos formaremos a Rede Galega pola Palestina xa que tiñamos moita preocupación e inquedanzas e a Coordinadora pechábanos as portas. Na mesma mani, ao rematar, chamariamos a ir a facer unha acción de boicot ao Burguer King. Como persoa e como parte de varios colectivos locais e tamén da CGT de Galicia que integran a Rede sentinme con responsabilidades polas detencións. A mesma noite do 6 de outubro chegou a Rede un manifesto/nota de prensa que ao meu entender é o de outras compas non era axeitado. Sen embargo, entendiamos que ese era o manifesto que querían as persoas detidas polo que o apoiamos. Durante esa larga noite introducíronse posteriores modificacións no manifesto suxeridas dende a Rede. A partir de aí esa responsabilidade e esa relación directa coa Rede diluíuse. Nestes momentos tedes toda a miña solidariedade máis creo que me liberastes de toda responsabilidade. Non sei como ves isto. De todos xeitos, como foi o proceso de creación de 9 detencións 0 explicacións e que alianzas de colectivos buscastes? Cal é a vosa situación actual?

Eu nom sei bem a intra-história porque nom som um militante mui ativo de BDS. Eu entendo que se saísse da coordenadora já que era bastante rígida, existia umha forte divergência ideológica e estratégica, e de transfundo político entre as diferentes organizaçons. No apartado do comunicado, eu ao serem umha das pessoas detidas nom estivem participando da sua redaçom, mais polo que recordo acho que ficara bastante de acordo com o exposto. Já digo que, quando sofres a repressom nestes termos, tampouco estás mui acima nos textos e na denúncia política, delegas um pouco nas companheiras já que a mente nom está para muitos trotes. Pode que exista o clássico “composcentrismo”, eu acho que quase sempre temos esta problemática no país. Mais, quitando isto, nom tenho constância de oferecimentos firmes de ajuda para a campanha, de incidência real no grupo já criado, sim de ajudas pontuais, que obviamente som mui bem recebidas.

Desde a campanha o que se lhe pide às organizaçons dos tecidos sociais galegos que queiram amossar a sua solidariedade é ajuda económica polo momento, ou coma vós convidando-nos a dar palestras polas comarcas do país, dar a conhecer o nosso caso. Eu penso que aos poucos iremos abrindo mais a nossa causa, acho que em parte está-se a conseguir, acudindo aos convites para dar-nos a conhecer, tecendo redes também com outros casos repressivos no Estado. Acho que em geral a campanha de solidariedade está aberta aos movimentos sociais da Galiza no seu conjunto, e nom só. No tocante ao grupo, é bastante reduzido, de poucas pessoas e que vivemos umha realidade de poli-militância. Enquanto às compas detidas, a maioria estám bastante desmobilizadas, som compas mui novinhas, com pouca experiência militante, e afrontar um processo assim ao pouco de chegar é um golpe muito forte. Eu tenho 27 anos e som das pessoas com maior experiência, com isso já se diz muito. Agora o trabalho do grupo da campanha é especialmente o económico, juntar dinheiro para pagar às companheiras advogadas, tirar algo de material, já que até que nom conheçamos a sentença poucos passos mais podes dar. Assim e todo, temos muitas ideias de cara aos próximos meses, levar posto de material nas festas e festivais do país, tirar novo material para pôr à venda, provavelmente acudir a Jornadas, como umhas que se farám no CS O Fuscalho da Guarda, etc.

Quizais explicar un pouco máis cal é a vosa situación legal actual. É dicir, de que se vos acusa, que penas se vos pide, cando vai ser o xuízo...

Pois… declaramos as 9 compas em vista previa. Polo momento nom temos novidades. É esperável que passe à fase de instruçom para que vaia a juízo ordinário. As penas nom as sabemos, porque ainda está em instruçom. Ata que non passe a fase de instruçom, nom saberemos quais som os cargos definitivos. Mais os cargos genéricos que tínhamos eram desobediência, resistência e ataque contra autoridade acho…ou… eles presentaram um parte de lesons, nos também, que conste! Nom, atentado à autoridade, desobediência ou resistência grave, creio, eram dous ou três genéricos. As penas desses cargos genéricos podem chegar aos 4 ou 5 anos.

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